
O povo indígena Krenak, pertencente à família linguística Macro-Jê, é originário da região do Vale do Rio Doce, em Minas Gerais. Historicamente conhecidos como “Botocudos do Leste” devido ao uso de adornos nos lábios e orelhas, os Krenak se autodenominam “Burum”, que significa “gente”, refletindo sua identidade cultural e autonomia durante a ditadura militar, o povo Krenak foi torturado, preso e submetivo a maus-tratos e trabalho forçado. Falar a própria língua era considerado um ato de desobediência Criaram o reformatório Krenak e o povo Krenak ficou sujeito ao deslocamento compulsório de seu território. Sua história é marcada por resistência e luta pela preservação de seu território e cultura. Durante o período colonial, enfrentaram invasões e tentativas de extermínio por parte dos colonizadores portugueses, que buscavam explorar os recursos naturais da região. Apesar das adversidades, os Krenak mantiveram-se firmes em sua terra, o que lhes conferiu uma identidade de resistência.
No século XX, enfrentaram novas ameaças, como a construção da Estrada de Ferro Vitória-Minas, que fragmentou seu território, e a chegada de posseiros e fazendeiros que invadiram suas terras. Em 1957, foram forçados a se deslocar para terras indígenas dos Maxakali, em Águas Formosas, mas retornaram após dois anos devido às condições adversas. Posteriormente, enfrentaram a criação do Reformatório Krenak, um campo de concentração étnico onde foram submetidos a torturas e trabalho forçado durante a ditadura militar.
Apesar das adversidades, os Krenak continuam a lutar por seus direitos, incluindo a demarcação total de seu território tradicional. Em 2024, foram reconhecidos como anistiados políticos coletivos, um passo importante para a reparação das violações sofridas.
Hoje, a população Krenak reside principalmente na Terra Indígena Fazenda Guarani, no município de Carmésia, Minas Gerais. Apesar dos desafios, continuam a preservar sua língua, cultura e identidade, sendo um símbolo de resistência e resiliência indígena no Brasil.
Povo indígena que vive no extremo sul da Bahia e norte de Minas Gerais, presentes nos municípios de Carmésia, Açucena, Dores de Guanhães e Itapecerica. A migração para Minas Gerais ocorreu devido a conflitos com fazendeiros na Bahia. Há um grande esforço da etnia para manutenção da língua Patxohã. Conforme o Censo Demográfico de 2010, possuem 13.588 habitantes. O pleito pela criação de novas terras indígenas visa amenizar as situações de insuficiência territorial e escassez de recursos naturais às quais as populações indígenas estão submetidas. Cacique:
Habitam o município de São Joaquim de Bicas, região metropolitana de Belo Horizonte, com destaque para a Aldeia Naô Xohã, podendo ser encontrados também em Carmésia, Itapecerica e Araçuaí. Enfrentam desafios como a luta pela posse da terra e defesa da biodiversidade, se dedicando à reflorestação e proteção da biodiversidade nas proximidades das suas aldeias. Desenvolveu o Projeto Patashopping, um centro de referência para a comercialização de artesanato e produtos agrícolas indígenas, com foco na sustentabilidade e valorização da cultura. Cacique:
Os Pankararu são originários de Pernambuco e se espalharam em vários estados brasileiros ao longo do século XX. O grupo familiar de ‘Seu’ Eugênio Cardoso da Silva e Benvinda Vieira migrou desta região em busca de melhores condições de vida para seus filhos, tendo durante quase 30 anos convivido com outros povos, como: Krahô, Xerente, Karajá e os Pataxó de Minas Gerais. Hoje vivem em duas áreas no médio Jequitinhonha: Aldeia Apukaré em Coronel Murta e na Aldeia Cinta Vermelha Jundiba, em Araçuaí, juntamente com os Pataxó.
Referência:
Povos Indígenas em destaque
Primeira aldeia indígena do sul de Minas, também conhecida como Aldeia Kariri Wakonã, habitando o município de Caldas. Mantém laços com suas origens no Nordeste, especialmente no município de Palmeira dos Índios, em Alagoas. Essa aldeia conta com escola, quadra poliesportiva e posto de saúde próprios. No município de Brumadinho, região metropolitana de Belo Horizonte, há a Aldeia Arapowã Kakyá. A espiritualidade e a relação com a natureza são aspectos centrais da cosmovisão Xukuru-Kariri, com destaque para a crença na natureza sagrada e a importância dos terreiros para os rituais. Cacique:
O povo Kiriri, oriundo do oeste da Bahia, fixou-se em 2017 no bairro rural Rio Verde, em Caldas, sul de Minas Gerais. Desde então, as famílias ocupam parte de uma área de aproximadamente 60 hectares, onde erguem moradias de pau a pique, cultivam alimentos sem agrotóxicos, preservam espécies medicinais e desenvolvem práticas comunitárias de convivência e espiritualidade. Mesmo enfrentando carências estruturais e a ausência de apoio governamental, mantêm a luta pelo direito legítimo de viver em território que reconhecem como sagrado e vinculado à memória de seus ancestrais.
O espaço foi reivindicado pela Universidade do Estado de Minas Gerais (UEMG), que, apesar de nunca ter feito uso da terra, obteve decisão judicial favorável à reintegração de posse em 2018. As famílias chegaram a ser removidas para Patos de Minas, mas retornaram a Caldas diante da inadequação do novo local e com o acolhimento da comunidade vizinha de Rio Verde. É importante notar que outros ocupantes não indígenas permanecem no mesmo terreno sem terem sido alvo de ações judiciais, o que expõe um tratamento desigual.
A resistência Kiriri mobilizou organizações sociais, religiosas e jurídicas, entre elas a Comissão Pastoral da Terra, o Conselho Indigenista Missionário e o Ministério Público Federal. Houve negociações em que a própria UEMG sinalizou com a possibilidade de cessão da área. Moradores locais também reforçaram seu apoio por meio de abaixo-assinados e manifestações públicas em defesa da permanência dos indígenas.
Os Kiriri reafirmam que não aceitam mais ordens de despejo. Continuam a fortalecer sua vida comunitária, investem em práticas agrícolas sustentáveis e realizam anualmente, no mês de abril, uma grande celebração cultural. Essa festa reúne música, danças, artesanato e culinária típica, permitindo que visitantes conheçam sua história e tradições, ao mesmo tempo em que contribui para desconstruir estereótipos sobre os povos indígenas.
A história dos indígenas Kamakã Mongoió, subgrupo Pataxó Hã-hã-hãe, se relaciona com a Terra Indígena Caramuru Catarina Paraguaçu, no Município de Pau Brasil, no Sul da Bahia. Em Minas Gerais há ainda famílias Kamakã nos municípios de Contagem e em Ibirité. No ano de 2019, famílias Kamakã-Mongoió e Pataxó iniciaram uma Retomada no corrégo de Areias, no município de Brumadinho. Estão desde então desenvolvendo projetos de recuperação ambiental e socioculturais nesse território.
A Aldeia Kamakã Mongoió é um território sagrado e de resistência indígena em Brumadinho, Minas Gerais, fundado em 2021 pelo cacique Merong Kamakã Mongoió com o objetivo de resgatar a vida, a cultura e a espiritualidade do povo, que busca refúgio, paz e a preservação da natureza. O território abriga um sítio arqueológico com pinturas rupestres, e a comunidade luta para cuidar das matas e garantir o “Bem Viver” de seu povo.
Referências:
Retomada Indígena Kamakã Mongoió em Brumadinho, MG: obra do Grande Espírito
O povo Kaxixó recebeu reconhecimento oficial como comunidade indígena pela Funai em 2001. Hoje, está organizado em aldeias localizadas nos municípios de Martinho Campos e Pompéu, na região Centro-Oeste de Minas Gerais, próximas ao rio Pará.
A trajetória desse grupo é marcada por séculos de resistência. Desde o século XVII, os Kaxixó enfrentaram expedições de bandeirantes que buscavam dominar suas terras. Já no século XVIII, foram submetidos à exploração e ao processo de apagamento cultural impostos pelo capitão Inácio de Oliveira Campos e por Dona Joaquina de Pompéu, que os utilizaram como mão de obra e restringiram suas práticas tradicionais.
A identidade Kaxixó resulta de um processo histórico de miscigenação entre indígenas, africanos escravizados e colonizadores brancos. Entre as figuras que simbolizam sua ancestralidade está Fabrício, descendente da índia Tia Vovó, pertencente ao grupo Kaxixó, e de um dos filhos do casal Inácio de Oliveira Campos e Dona Joaquina.
Apesar de reivindicarem cerca de 27 mil hectares de território tradicional hoje ocupado por fazendeiros, o espaço efetivamente utilizado pelo povo é bastante limitado: pouco mais de 35 hectares, fragmentados e insuficientes para atender às necessidades da comunidade. Por essa razão, muitos Kaxixó buscam trabalho nas fazendas vizinhas, como vaqueiros e lavradores, ou na produção de artesanato. Estudos já identificaram, nesse território, quinze sítios arqueológicos que evidenciam a longa presença indígena na região.
No campo cultural e espiritual, os Kaxixó em sua maioria professam o catolicismo. A principal celebração ocorre em 4 de outubro, dia de São Francisco, santo de grande devoção para o grupo. Paralelamente, preservam elementos da espiritualidade ancestral que, durante o período de dominação, chegaram a ser proibidos. Em sua cosmologia, aparecem figuras como Jacy, associado ao divino, Angüera, ligado ao mal, e os Caboclos d’Água, que se relacionam diretamente com a identidade do povo. Suas manifestações culturais também incluem a Dança do Jacaré e o uso de pinturas corporais em ocasiões festivas
Situados na região nordeste de Minas Gerais, mais precisamente no Vale do Mucuri, o povo Maxakali compreende cerca de 2500 pessoas vivendo em quatro áreas: as aldeias de Água Boa, localizadas em Santa Helena de Minas; as aldeias de Pradinho e Cachoreira, situadas em Bertópolis; a Aldeia Verde, em Ladaínha; e em Topázio, na cidade de Teófilo Otoni.
Autodenominados como Tikmu’ún, que em português pode ser traduzido pela idéia de ‘nós, os humanos”, os Maxakalis constituíram-se a partir da junção de vários grupos rituais étnicamente relacionados, famílias extensas localizadas em pequenas aldeias geograficamente isoladas que, no século XIX, se articularam e aldearam juntos como forma de proteção, são eles: os Pataxó, Monoxó, Kumanoxó, Kutatói, Malalí, Makoní, Kopoxó, Kutaxó e Pañâme.
O tronco linguistico dos Maxakalis é o Macro-Jê, o português é falado principalmente pelas lideranças indígenas e só é ensinado nas escolas após as crianças terem sido alfabetizadas na língua materna. Na cosmovisão deste povo, as matas são muito importantes, principalmente na perspectiva religiosa, por se tratar do lugar onde vivem os espíritos Maxakal.
Pertencentes ao grande grupo Botocutos, os Mokuriñ são um povo de aproximadamente 50 habitantantes que estão aldeados no município de Campanário. Atualmente a grande luta dos Mukuriñ é pela justiça agrária, tendo em vista a necessidade de demarcação de seu território tradicional e a ampliação de sua capacidade produtiva.
O povo Tuxá tem presença tradicional no Vale do Rio São Francisco, especialmente nos limites entre Bahia, Pernambuco e também hoje no Norte de Minas. Atualmente, muitos vivem em Rodelas (BA), e outro grupo encontrou um novo lar em Minas Gerais, na região de Pirapora/Buritizeiro.
Estima-se que a população Tuxá atinja cerca de 1.700 a 2.100 pessoas, distribuídas entre BA, PE e MG. Pertencem a um horizonte cultural diversificado do Baixo–Médio São Francisco, tendo absorvido e compartilhado tradições com outros grupos locais, como Truká, Atikum e Pankará, sobretudo por meio dos rituais do Toré, Particular e a espiritualidade ligada à Jurema. A língua Tuxá é considerada uma língua isolada (não ligada a outras famílias conhecidas) e entrou em desuso possivelmente no século XIX. Em Minas Gerais, desde a década de 1950, a comunidade Tuxá estabeleceu-se em Pirapora e permanece com insistente reivindicação por território próprio. Em 2015, ocuparam a fazenda Santo Antônio, no município de Buritizeiro (MG), reivindicando reparação e efetivação de políticas públicas fundamentais para sua sobrevivência física, cultural e espiritual — especialmente contra ocupação ilegal e degradação ambiental.
Em 2023, foi firmado um Termo de Cessão Gratuita de Uso do território à FUNAI, garantindo o uso tradicional da terra para o Povo Tuxá da aldeia Setor Bragagá — uma conquista significativa no processo de garantia territorial.
Habitam a região norte de Minas Gerais, entre os rios Peruaçu e Itacarambi, afluentes do Rio São Francisco, no município de São João das Missões. Falam a língua Akwê, do tronco linguístico Macro-Jê e o português. É o povo indígena mais populoso de Minas Gerais, cerca de 36.699 habitantes de acordo com o censo demográfico de 2022, sendo 7.951 no município de São João das Missões.
Os xakriabás têm um longo processo de contato com os primeiros bandeirantes que chegaram a Minas Gerais e pela Missão de São João que tinha por objetivo catequizá-los. Mantém tradições católicas, como a Festa de São João. São devotos da divindade Yayá, protetora do grupo. O território Xakriabá é muito rico em sua fauna e flora, onde podemos encontrar veados, cutias, tatus, onças, seriemas, tamanduás e frutos como a cagaita, a jabuticaba, o maracujá e o xixá, sendo o local, por isso, utilizado por caçada e coleta. Cacique: